
Aqui na Califórnia dois fatores fazem com que o estado esteja orientado a mudar a composição da matriz energética: excesso de fontes, não limpas, que impactam o meio ambiente (carvão, gás, etc) e grande demanda por energia durante os dias quentes, que acabam gerando apagões incontroláveis.
No Brasil a minha percepção é de que a energia limpa, como a solar, poderia ser adotada inicialmente para conscientização das comunidades em relação a eletricidade. Os índices de perda comercial, “gatos”, são extremamente elevados no nosso país e culturalmente as pessoas encaram isso como algo normal. O problema é que os famosos gatos estão embutidos no valor da conta de toda a sociedade e além disso, geram transtornos na previsão de demanda por eletricidade. É verdade que hoje temos uma matriz energética limpa, crédito para as nossas hidrelétricas, mas até quando poderemos construir novas barragens? Além da dificuldade de transportarmos energia por grandes distâncias, temos as questões sociais envolvidas nessas construções. Vejam o exemplo de Belo Monte.
Insisto na ideia de olharmos para a energia fotovoltaica, no Brasil, sob uma ótica diferente. Uma energia que agregará comunidades e isso é uma das coisas que mais sinto falta no nosso país, pessoas engajadas em prol de outras pessoas e preocupadas com o ambiente em que vivemos. Não acredito que iremos mudar alguma coisa no nosso país tornando a energia fotovoltaica acessível apenas aos afortunados que aqui vivem. O grande desafio será utilizar a energia fotovoltaica com um cunho de inclusão e união. O despertar da consciência do coletivo, mesmo que isso seja feito a partir de pequenos projetos.

Essa foi apenas uma introdução sobre o assunto e nos próximos posts quero apresentar com mais detalhes um projeto social que tenho em mente. Esse é o principal objetivo do blog, trazer ideias para viabilizar a energia fotovoltaica a partir da integração de cidadãos, voluntários e tecnologias.
Realidade do programa de energia fotovoltaica na região de San Diego
Aqui na região de San Diego a meta do governo para geração de energia elétrica, em telhados de residências comuns, é de 59,5 MW até 2016. O que significa 15.000 instalações, considerando que cada sistema tem em média 4kW de capacidade instalada. Até o momento já foram instalados 49 MW (10.422 casas). No início do programa o governo chegou a pagar um incentivo de $2.500 por kW instalado. Hoje, próximo da meta, o incentivo pago é de $200 por kW, porém o preço da instalação caiu consideravelmente desde o início do programa.
Califórnia Center for Sustainable Energy
O CCSE é um dos grandes aliados dessa nova revolução Californiana em prol da utilização de novas fontes de energia limpa. A visão do CCSE: criar um futuro sustentável no que tangem às questões de energia. A missão: estimular políticas públicas e promover programas, serviços e informações que facilitem as práticas sustentáveis.
O centro conta com uma infra-estrutura fantástica, fazendo com que o espaço seja um ponto de encontro da comunidade (empresas, escolas, residentes, etc). Pessoas interessadas em sustentabilidade encontram cursos, seminários e workshops. Os treinamentos são ofertados sem qualquer custo para a sociedade, deixando o assunto acessível à qualquer pessoa.
Por aqui, até o momento, participei de um seminário sobre eficiência energética, peça chave quando se fala em energia renovável e também de um workshop para pessoas interessadas em adotar sistemas solares fotovoltaico. Os documentos dos treinamentos estão disponíveis no link ao lado (docs).
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