Componentes de sistema solar fotovoltaico – Diferença de preço dos EUA para o Brasil

Após voltar ao Brasil decidi dar continuidade ao projeto social para instalação de módulos fotovoltaicos em famílias selecionadas. O que me impressiona até o momento é a diferença de preço dos componentes aqui no Brasil para o restante do mundo. Fazendo uma pesquisa de preços para um sistema fotovoltaico, residencial, me deparei com a diferença gritante de preços para os mesmos produtos comprados nos EUA. Um micro inversor enphase m215 comprado aqui no Brasil custa R$1061 enquanto o mesmo produto nos EUA custa $155. Já o módulo policristalino da Yingli custa R$1199 enquanto o mesmo por lá custa $214. Mais uma vez as coisas no Brasil são para uma minoria.

O mercado precisa se movimentar para que essas tecnologias comecem a ficar mais acessíveis. Fiquem atentos ao comprar equipamentos para os seus projetos.

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SDG&E Solarthon

No último final de semana, sábado dia 13/10, participamos de um evento em conjunto com a distribuidora de energia elétrica local (SDG&E). O evento realizado em um dos bairros de San Diego levou energia solar fotovoltaica para cinco famílias de uma única vez. Durante a semana nós, da GRID Alternatives, preparamos a parte elétrica, montagem das estruturas de sustentação dos painéis, deixando todas as cinco casas prontas para receberem os painéis solares. No final de semana, os voluntários da SDG&E juntaram-se à equipe de voluntários da GRID para juntos finalizarmos as instalações.  O evento foi bastante movimentado e envolveu uma quantidade considerável de voluntários (verificar fotos). Todos os sistemas solares instalados no último final de semana gerarão uma economia, para as famílias beneficiadas, de aproximadamente $135 mil dólares nos próximos 30 anos.

Nas duas maiores casas,das cinco instalações, utilizamos inversores centralizados enquanto nas demais utilizamos micro inversores. No total foram instaladas 75 placas solares da Yingli Solar. Uma capacidade total de aproximadamente 15kW.

O evento ganhou destaque também na mídia por aqui, vejam a matéria exibida no jornal da CBS. Jornal local falando sobre o evento

Fotos do evento.

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Resumo e fotos das instalações das últimas três semanas

Equipe de voluntários da GRID Alternatives

As últimas semanas foram movimentadas, voluntariei em três instalações aqui na região de San Diego. Os sistemas instalados foram de 2.4 kW, 3.26 kW e 2.85 kW respectivamente. Na primeira semana instalamos 11 painéis solares policristalinos  da Yingli Solar, 16 painéis na segunda e 14 painéis na terceira. Os micro inversores utilizados eram da Enphase. Em média cada painel garante uma potência instalada de 235 kW para o sistema.  Com uma boa quantidade de sol, um desses sistemas pode produzir o suficiente para abastecer de duas até três casas listadas no programa de baixa renda no Brasil. Eu não tenho o valor exato, mas lendo uma pesquisa do MEC, descobri que uma família de baixa renda com cinco pessoas consome no mês aproximadamente 240 kWh.

Dona da casa contemplada com o sistema solar

Um ponto que queria destacar dessas últimas semanas é que existem pessoas mais velhas voluntariando. Na última semana trabalhei, no telhado, com um senhor de 70 anos, que além de ajudar o meio ambiente, também queria aprender a instalar os painéis para poder fazer a instalação da casa dele sozinho.

Em uma das instalações um ativista californiano me indicou um livro chamado: Third Industrial Revolution do Jeremy Rifkin. Vou comprar o livro e ler para ver se vale a pena. Se alguém já leu, faça seu comentário!

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Um paralelo entre os motivadores da energia fotovoltaica na Califórnia e no Brasil

Aqui na Califórnia dois fatores fazem com que o estado esteja orientado a mudar a composição da matriz energética: excesso de fontes, não limpas, que impactam o meio ambiente (carvão, gás, etc) e grande demanda por energia durante os dias quentes, que acabam gerando apagões incontroláveis.

No Brasil a minha percepção é de que a energia limpa, como a solar, poderia ser adotada inicialmente para conscientização das comunidades em relação a eletricidade. Os índices de perda comercial, “gatos”, são extremamente elevados no nosso país e culturalmente as pessoas encaram isso como algo normal. O problema é que os famosos gatos estão embutidos no valor da conta de toda a sociedade e além disso, geram transtornos na previsão de demanda por eletricidade.  É verdade que hoje temos uma matriz energética limpa, crédito para as nossas hidrelétricas, mas até quando poderemos construir novas barragens?  Além da dificuldade de transportarmos energia por grandes distâncias, temos as questões sociais envolvidas nessas construções. Vejam o exemplo de Belo Monte.

Insisto na ideia de olharmos para a energia fotovoltaica, no Brasil, sob uma ótica diferente. Uma energia que agregará comunidades e isso é uma das coisas que mais sinto falta no nosso país, pessoas engajadas em prol de outras pessoas e preocupadas com o ambiente em que vivemos. Não acredito que iremos mudar alguma coisa no nosso país tornando a energia fotovoltaica acessível apenas aos afortunados que aqui vivem. O grande desafio será utilizar a energia fotovoltaica com um cunho de inclusão e união. O despertar da consciência do coletivo, mesmo que isso seja feito a partir de pequenos projetos.

 

Essa foi apenas uma introdução sobre o assunto e nos próximos posts quero apresentar com mais detalhes um projeto social que tenho em mente. Esse é o principal objetivo do blog, trazer ideias para viabilizar a energia fotovoltaica a partir da integração de cidadãos, voluntários e tecnologias.

Realidade do programa de energia fotovoltaica na região de San Diego

Aqui na região de San Diego a meta do governo para geração de energia elétrica, em telhados de residências comuns, é de 59,5 MW até 2016. O que significa 15.000 instalações, considerando que cada sistema tem em média 4kW de capacidade instalada. Até o momento já foram instalados 49 MW (10.422 casas). No início do programa o governo chegou a pagar um incentivo de $2.500 por kW instalado. Hoje, próximo da meta, o incentivo pago é de $200 por kW, porém o preço da instalação caiu consideravelmente desde o início do programa.

Califórnia Center for Sustainable Energy

O CCSE é um dos grandes aliados dessa nova revolução Californiana em prol da utilização de novas fontes de energia limpa. A visão do CCSE: criar um futuro sustentável no que tangem às questões de energia. A missão: estimular políticas públicas e promover programas, serviços e informações que facilitem as práticas sustentáveis.

O centro conta com uma infra-estrutura fantástica, fazendo com que o espaço seja um ponto de encontro da comunidade (empresas, escolas, residentes, etc). Pessoas interessadas em sustentabilidade encontram cursos, seminários e workshops. Os treinamentos são ofertados sem qualquer custo para a sociedade, deixando o assunto acessível à qualquer pessoa.

Por aqui, até o momento, participei de um seminário sobre eficiência energética, peça chave quando se fala em energia renovável e também de um workshop para pessoas interessadas em adotar sistemas solares fotovoltaico. Os documentos dos treinamentos estão disponíveis no link ao lado (docs).

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Segunda instalação

A instalação dessa semana foi um pouco maior, no total 17 módulos solares. Essa quantidade de painéis gera aproximadamente 500 kWh por mês, o que seria suficiente para deixar a maioria dos lares brasileiros com a conta de energia praticamente nula, levando em consideração o nosso hábito de consumo. Enfim, mais uma instalação finalizada, mais uma família feliz, menos energia retirada da rede, mais pessoas treinadas, menos poluição e menos uma conta no final do mês para essa família que passa por dificuldades. Será que um programa desses não seria bom para a economia brasileira? Uma alternativa ao bolsa família? Rapidamente listo alguns benefícios: famílias de baixa renda deixando de pagar conta de energia, menos roubo de energia (alguns estados tem perda comercial em torno de  30% do total comercializado), mais pessoas treinadas em uma profissão do futuro, etc. Essa é apenas uma das formas de movimentarmos a nossa economia na área de energia renovável.

Dono da casa feliz com o novo sistema e redução na conta de energia

Dono da casa feliz com o novo sistema e redução na conta de energia

A casa

A casa atual foi qualificada a receber mais módulos, pois o número de residentes era maior e consequentemente o consumo de energia mais elevado. A montagem do sistema foi realizada em dois dias e 8 voluntários trabalharam nessa jornada. Interessante que dessa vez trabalhamos com dois iraquianos que estavam aprendendo uma nova profissão, vieram refugiados para os Estados Unidos. Estão tendo uma oportunidade, concedida pelo governo, de começarem uma nova vida por aqui. O próprio governo fez contato com a GRID Alternatives e pediu para que os dois participassem da instalação.

Detalhes técnicos

Essa instalação foi um pouco mais trabalhosa, porém o telhado da casa era maior e isso facilitou a locomoção e a segurança da equipe. Dessa vez consegui tirar mais fotos e através das imagens vou tentar explicar a instalação passo a passo. Os 17 módulos policristalinos instalados foram da Yingli Solar e os micro inversores da Enphase Inc. Um micro inversor por módulo solar.

Escritório GRID Alternatives San Diego

Nessa quinta acabei visitando o escritório da GRID Alternatives aqui em San Diego, o pessoal do escritório queria conhecer o primeiro voluntário Brasileiro. Fui muito bem recebido e devo começar a ajudá-los em outras etapas do processo. A instalação dos módulos é apenas uma das etapas das atividades da ONG. Existem outras atividades envolvidas: qualificação das casas, avaliação técnica e visita pós instalação para suporte ao sistema. Esses sistemas solares são bastante sofisticados e podem ser monitorados a partir da internet. Para ser ter uma ideia, o dono da casa consegue saber, no momento exato da consulta, qual a quantidade de energia gerada pelos módulos além de outras informações.

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Nessa semana também fui ao Califórnia Center for Sustainable Energy, trata-se de uma organização não governamental que integra as ações de sustentabilidade na Califórnia. No CCSE participei de uma seminário sobre eficiência energética, assunto ligado de forma intrínseca quando falamos de energias renováveis. Ainda essa semana escreverei sobre o seminário e também sobre a infra-estrutura do CCSE. Acompanhem o blog.

CCSE -> http://energycenter.org/

Primeira instalação

Após desembarcar no aeroporto de San Diego, logo percebi que o lugar tem realmente muito sol e isso é perfeito para o funcionamento dos painéis solares. O primeiro passo foi viajar até Riverside, aproximadamente 160 kms ao norte, para atender ao treinamento obrigatório antes de colocar a mão na massa e ajudar nas instalações dos painéis.

O treinamento

O treinamento em Riversidade foi muito profissional e mostrou o quão organizada é essa instituição sem fins lucrativos. A orientação abordou questões de segurança, meio ambiente, funcionamento dos painéis, etapas das instalações e também a importância do trabalho voluntário para as comunidades e para o crescimento pessoal. O público do treinamento era bastante diversificado, muitos desempregados em busca de uma nova profissão, empresários locais e pessoas simplesmente interessadas em ajudar suas comunidades e o meio ambiente. Todo voluntário da GRID Alternatives tem um login e senha no site para controlar suas participações nas ações voluntárias. Após participar do treinamento mandatório, meu login já estava habilitado para que eu pudesse voluntariar ajudando na instalação de sistemas solares para famílias de baixa renda.

Finalmente a primeira instalação

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Cheguei ao local da instalação às 08:30 da manhã e o pessoal da GRID já estava por lá começando a organizar o ambiente. O Sistema instalado foi de 2.3 kW e composto por 10 painéis policristalinos da Yingli Solar, que por coincidência será patrocinadora da copa do mundo de 2014 no Brasil. As dez pessoas que participaram da instalação foram divididas em três grupos: equipe de solo, parte elétrica e equipe do telhado. Eu logo me voluntariei para trabalhar na equipe do telhado, afinal não vim aqui para outra coisa a não ser pegar e instalar os painéis solares (era um sonho antigo). É impressionante o profissionalismo do pessoal da GRID Alternatives, definitivamente algo a ser copiado. Cada uma das equipes possuía um coordenador que sabia exatamente o que estava fazendo e assim as coisas aconteceram com calma, dando a chance para todos os voluntários aprenderem o que estavam fazendo. Um dos coordenadores disse: instalar painéis solares é como fazer hambúrguer, não tem mistério, repetimos isso muitas vezes e por isso o profissionalismo.

A instalação durou dois dias. No primeiro dia foram feitas as marcações, os furos no telhado e a colocação dos trilhos de sustentação dos painéis solares. No segundo dia foram instaladas as placas solares e finalizada a parte elétrica, que leva a energia gerada pelas placas fotovoltaicas até o painel central da casa. Era impossível não ver a satisfação da dona da casa, que agora terá boa parte da energia consumida, gerada ali mesmo sem pagar qualquer tarifa a concessionária local. Um ponto muito legal foi ver a preocupação dos coordenadores da instalação com a parte estética, absolutamente nada fora do padrão, tudo milimetricamente no seu lugar.

Ver o projeto finalizado não tem preço e foi emocionante. Menos uma família com dificuldade para pagar a conta, menos uma casa consumindo excessivamente a energia da rede, menos CO2 lançado no meio ambiente, novas pessoas treinadas, etc… Acho que essa lista de benefícios não tem fim e definitivamente a energia solar é realmente o que eu imagina. Que venham as próximas instalações!